Kaya Scodelario Brasil » Arquivo » Entrevista para o The Guardian – De ‘Skins’ a heronína da Disney
Postado por scodelariobrasil


Kaya concedeu uma entrevista ao jornal The Guardian durante a promoção do filme ‘Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar’ em Paris, onde ela conversou sobre sua carreia e seu papel em ‘Piratas do Caribe’. Confira a entrevista abaixo:
Kaya Scodelario: ‘Você anda no set e tem 500 figurantes, e há um cachorro que é um ator e há também um rato que é um ator.’
Kaya Scodelario faz  muito sentindo como sendo a nova princesa da Disney. Ela tem grandes olhos azuis, tão amados pelos animadores, e exibe uma atitude valente nas telonas que inspira a adoração de potenciais feministas de sete anos de idade.
E o mais importante, assim como sua antecessora em ‘Piratas do Caribe‘, Keira Knightley, Kaya tem uma combinação de beleza delicada e aristocrática, que lembra as donzelas do século 18, com um toque de humor irônico que se delicia em subverter tais absurdos de filmes antiquados. Carina Smyth, a órfã e “mulher da ciência” que ela interpreta no novo filme de ‘Piratas’ é, de acordo com Kaya: “Completamente diferente. Ela é uma sobrevivente, ela é independente, ela não usa essas roupas extravagantes e ela se incomoda com tudo isso. Para mim, foi fácil me encaixar nisso.
Hoje, depois do fim de semana de première em Paris, para lançar o novo filme, Kaya está se recuperando em um hotel parisiense muito exclusivo e, em meio à grandiosidade de Luís XIV, ela aperece descalça, os cabelos ainda molhados do banho, vestindo uma blusa e um jeans. Ela tem trabalhado desde os 14 anos, e agora com 25,  acabou de embarcar nesta franquia da Disney, em uma escala totalmente diferente.
Ela ainda está se acostumando com isso: “Você anda pelo set e tem 500 figurantes, e tipo, há um cachorro que é um ator, e um rato que também é um ator, e eu tentei acariciar o cão e eles disseram “Não faça isso, por favor, ele ainda está trabalhando”, e eu fiquei tipo UAU”

Kaya teve sua primeira aparição e foi notada como a misteriosa Effy Stonem em ‘Skins’. A série que ficou no ar de 2007 à 2013, é agora mais reconhecida como uma versão britânica mais “pesada e suja'”de ‘A Casa do Mickey Mouse‘ da Disney, que produziu um notável número de atores que passaram a participar de projetos maiores. Eles ainda se reúnem no Natal e fazem churrascos durante o verão.
“Obviamente, é estranho porque Nick (Nicholas Hoult) acabou de estar em ‘X-Men‘ e Daniel (Kaluuya) está em ‘Get Out‘ agora – isso é tipo, como assim? Nós meio que conseguimos deixar essa estranheza de lado nos primeiros 10 minutos, depois nós voltamos aos trilhos e começamos a brincar e ser nós mesmos.
Kaya era a adolescente auto-confiante que ela parecia ser? Ela fica incredula: “Nãoooo! Sempre foi divertido atuar como Effy porque ela era tão diferente de mim. Quando criança eu era incrivelmente tímida e insegura. Eu sofria bullyng, eu sou disléxica, eu tinha uma mãe imigrante e solteira. Eu era o oposto desse tipo de garota legal e ideal.”
Kaya foi criada falando português por sua mãe brasileira. “Eu me considero primeiro uma londrina e depois me considero brasileira, antes de me considerar inglesa”, diz ela. Enquanto criança, as duas moravam no lado mais perigoso do bairro londrino de Islington, em um apartamento do governo que “sempre estava amarelo brilhante, com plantas e redes, música e comida brasileira”.
Isso explica parcialmente a sua obsessão bizzara em sua infancia por Arnold Schwazenegger: “É porque ele foi o primeiro ator estrangeiro que eu vi nos filmes de Hollywood. Ele tinha sotaque, e minha mãe também tinha sotaque, e por causa disso, ele realmente me inspirou”. Eu costumava ficar procurando seu nome na ‘Radio Times’. Eu tinha esse grande e longo sobrenome “Scodelario”, que ninguém mais tinha, e ele também tem, para mim…. Obviamente, quando fui ficando mais velha, politicamente e pessoalmente, não achei tão grande.”
Desde que deixou ‘Skins’ em 2009, Kaya tem aparecido em muitos filmes, incluindo adaptações, como ‘The Maze Runner’, que foi seu primeiro grande sucesso após ‘Skins’ e que teve grande impacto em sua carreira. Ela foi escolhida para interpretar Catherine Earnshaw na versão de 2011 de ‘O Morro dos Ventos Uivantes‘, muito audaciosa e apaixonada para assumir um romance de Emily Bronte, dirigido pela queridinha da america, diretora de ‘Fish Tank’, Andrea Arnold. “Ela disse para mim: “Se você vir para o set, e estiver menstruada e irritada, é normal. Seu  personagem também está menstruada e ela está irritada.” Ter uma diretora dizendo isso abertamente em frente a um elenco inteiro? Foi  tipo, SIM! Isso é incrivel. Essa é a dinâmica que uma mulher pode trazer em um set de filmagem.”
Não é o tipo de dinâmica que se espera encontrar no set de ‘Piratas‘, a franquia multimilionária de Jerry Bruckheimer. Então qual era o apelo? “O pensamento de estar no set com esses atores que têm carreiras gigantescas [Johnny Depp, Geoffrey Rush, Javier Bardem], sabendo que eu poderia passar seis meses aprendendo com eles e vendo-os trabalhar”.
Ela também tinha cálculos de longo prazo em mente: “Fazer um filme como esse significa que eu posso financiar meus próprios filmes independentes e, eventualmente, é isso que eu quero fazer, eu quero produzir, e eu quero trabalhar com equipes femininas.”
Este dólar da Disney não deve ser zombado, especialmente por uma garota “orgulhosamente operária” do norte de Londres. Ainda não estamos falando sobre uma quantidade absurda de dinheiro, mas ainda assim, ela diz: “O que é ótimo sobre esses filmes é que há oportunidades como esta, onde eu digo para os meus amigos: ‘Pegue o Eurostar, venha a este belo hotel em Paris, vamos beber um pouco de champanhe, e vamos voltar ao trabalho amanhã”.
Desde que as filmagens terminaram no verão de 2015, Kaya cresceu ainda mais. Ela se casou com Benjamin Walker, ator americano e ex-genro de Meryl Streep e deu à luz um filho que está dormindo no quarto ao lado. A vida familiar só a deixou mais determinada: “Eu me sinto mais capacitada agora em minha carreira porque meu filho é importante, e meu trabalho é importante para ele”.
Ele também deu à ela algo para conversar com o Depp, apesar que ela diz que sempre houve uma fácil camaradagem entre eles. “Eu achei que nós nos demos bem assim quando eu cheguei, porque eu tentei tratar ele com uma pessoa normal, eu tive o mesmo tipo de conversa que eu teria com uma pessoa em um pub. Eu estava tipo, “isso é bem louco, não é”?
Mais louco ainda para ela, talvez. Como a única mulher, até então com 23 anos, em um elenco de atores de 40, 50 e 60 anos, ela experimentou o duplo padrão de gênero de Hollywood em uma forma espetacular. Isso não a incomoda? “Sim. É como se houvesse essa data de expiração para nós (mulheres) e é uma besteira, porque minha mente não vai mudar. Se alguma coisa mudar é porque eu quero crescer, e vou aprender e vou ser melhor. “
Mas ela prefere olhar para o lado positivo e, na verdade, há um. “Eu estava preocupada que eles iriam me colocar para fazer par romântico com alguém em seus 50 anos, isso seria desolador. Então fiquei extremamente aliviada em saber que Brenton [Thwaites, que interpreta o filho do Will Turner (Orlando Bloom)] é apenas um ano mais velho do que eu. Mas, sim, nove em cada 10 vezes, quando eu leio um roteiro, vai ser eu com um cara que tem o dobro da minha idade, e isso é realmente estranho.
Como muitos atores, Kaya gosta de manter a normalidade. No seu caso, não parece fingimento. É uma estratégia de enfrentamento útil para alguém cujo as experiências do dia-a-dia mudaram drasticamente em tão pouco tempo. Ela diz que é por isso que ela nunca se queimou, apesar de trabalhar quase constantemente desde a infância: “Eu sempre tento viver uma vida normal o máximo que eu posso. Em ‘Skins’, nós só filmamos por alguns meses no verão. Quando eu não estava no set, eu estava fazendo minhas coisas normais. MInhas melhores amigas, elas são amigas da escola. Uma é um florista e a outra é professora, elas são completamente normais e reais”.
Ela também não faz aquela coisa irritante de ator-que-está-em-uma-entrevista fingindo gratidão por qualquer experiência profissional, no entanto, objetivamente miserável.
Uma das cenas mais deslumbrantes do filme, envolve ela subindo na âncora de um navio gigantesco.
Parece impressionante em toda glória do CGI, mas como foi filmar? Kaya disse simplesmente: “Um inferno”. “Nós estavamos em um armazém gigante, e tinha tela azul por todo o lado, e nós estavamos lá por cerca de 3 semanas. Eu não via a luz do dia. Nós tinhamos que estar constantemente molhados, e então a pobre e adorável maquiadora vinha com uma garrafa, se desculpava e jogava na minha cara, periodicamente, durante todo o dia”
Ela ri do absurdo. Permanecer com os pés no chão em Hollywood é uma coisa, mas se manter os com os pés no chão  enquanto fica pendurada a 30 metros do chão, no ar, em uma âncora gigante? Essa é a conquista mais impressionante.
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