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Postado por scodelariobrasil


Kaya é capa da edição de março da revista Marie Claire UK.   A atriz conversou com Martha Hayes sobre a jornada de sua vida e carreia, desde de ‘Skins’, até Hollywood. Ela também conta com mais detalhes como o movimento Me Too a encorajou a se abrir sobre seu assédio. Confira a matéria completa abaixo:

A adolescente hedonista de ‘Skins” navegou no mundo dos blockbusters de Hollywood e se tornou uma mãe – tudo isso com com apenas 24 anos. Kaya Scodelario nos conta por que ela sempre foi uma força a ser considerada.

A performance de Kaya Scodelario no recentemente lançado ‘Maze Runner: A Cura Mortal‘ é impressionante. Mas quando você considera que ela deu à luz seu primeiro filho apenas dois meses antes das filmagens terem começado e estava amamentando ou bombeando leite a cada quatro horas ao longo de 18 horas no set, tendo se mudado para Cape Town por três meses, começa a sentir menos impressionante e bem mais sobre-humano. Não que Scodelario veja dessa forma.

“Um dia eu coloquei meu seio pra fora e coloquei a bombinha de mama e foi tipo [para seus co-estrelas de Maze Runner, Dylan O’Brien e Thomas Brodie-Sangster],”Meninos, vocês vão ter que lidar com isso,” diz ela em seu sotaque do norte de Londres, encolhendo os ombros. “Ninguém foi estranho sobre isso. Eles me conhecem bem o suficiente para saber que eu teria batido neles se agissem com estranheza”.

Normalizar o aleitamento materno no set de filmagens do último filme da trilogia foi algo de muita importância para a atriz de 25 anos, e algo que ela geralmente compartilha com seus 1,4m seguidores no Instagram. “Quero dizer, você está fazendo isso 17 vezes por dia – é normal. Me sinto tão agradecida que posso [amamentar], quando muitas mulheres não conseguem. Foi muito difícil com o filme, mas insisti em fazer uma pausa de dez minutos a cada quatro horas para bombear.

Não posso deixar de pensar que a assertiva, ambiciosa e franca artista, anteriormente conhecida como Effy, da série ‘Skins‘ (o drama cult adolescente da E4 que lançou uma legião de estrelas britânicas, de Nicholas Hoult a Dev Patel), que se mantém forte como a personagem feminina principal de uma franquia de filmes de ação multimilionária que é dominada por homens, é exatamente o que a Hollywood, pós #MeToo, precisa.

É no início de uma fria manhã de inverno quando nos encontramos em um studio no oeste de Londres. Ela explica que o local é, coincidentemente, o mesmo onde ela fez o seu primeiro photoshoot, aos 14 anos. Tenho que admitir que ela não parece muito mais velha hoje em dia; sem nenhuma maquiagem no rosto, com os cabelos molhados do banho, skinny jeans, tênis da Nike e uma enorme parka que ameaça a engolir. Ela acaba de comemorar o primeiro aniversário de seu filho e está curtindo um pouco da “vida” com seu marido de dois anos – e parceiro na criação de seu filho; “não há estereótipos de gênero entre nós” – ator americano Benjamin Walker.

Além de filmar o último ‘Maze Runner‘ no ano passado, Scodelario embarcou em uma turnê mundial para promover seu papel no último filme de ‘Piratas do Caribe‘ e se mudou com a família para uma casa alugada em Crouch End, no norte de Londres. Ela atualmente está se preparando para uma mudança para Montreal, Canadá, para gravar o filme independente americano, ‘Die In A Gunfight‘. Não é de admirar que ela esteja saboreando sentir o chão sob seus pés e passar um tempo com seus amigos mais antigos. Scodelario me diz que ontem à noite ela se encontrou com o grupo dos “pequenas escritoras” que ela se encontra a cada duas semanas quando ela está em Londres.

“É bom estar em uma sala cheia de mulheres, mesmo que você esteja apenas bebendo vinho e falando sobre ‘EastEnders“, diz ela. “Para nós, é um lugar seguro onde podemos discutir as histórias que queremos contar e nos alimentar da energia umas das outras. Em dez anos, houve apenas duas ocasiões [no trabalho] onde o número de mulheres na sala foi igual à quantidade de homens “.

Eu suponho que seu trabalho em blockbusters tenha sido estratégico para dar-lhe a liberdade de ser seletiva com papéis futuros. Se fosse assim tão simples, ela diz. “Você não é, nem de longe, pago tanto quanto as pessoas assumem, especialmente quando é sua primeira franquia. Há uma escala definida, então definitivamente não foi por causa das finanças.

No entanto, ela está otimista sobre a produção de seus próprios filmes no futuro. “Em 90 por cento dos scripts que eu li, a mulher está usando apenas lengerie sem motivo algum”, suspira. Certamente, ter interpretado a enigmática Effy em quatro temporadas de ‘Skins‘ levou a “muitas audições para” a namorada quente do ensino médio “e outros papéis horríveis”. Mas Scodelario se manteve firme, o que é especialmente admirável quando você faz questão de não ter experiência prévia com atuação.

Em 2007, com apenas 14 anos, ela foi a audição de ‘Skins‘ na sugestão do professor de teatro, mas estava tão nervosa que decidiu não entrar. Ela estava fumando um cigarro fora do prédio quando foi flagrada por Bryan Elsley, um dos criadores da série. “Ela [a série] aumentou o nível para quem quiser interpretar mulheres interessantes, profundas e torturadas”, lembra ela, mas diz que, após a série terminar, “havia o medo de: seria isso tudo o que eu poderia fazer? Eu não fui treinada, e eu trabalho de forma instintiva. Eu sei que existem bons roteiros e bons papéis; então agora, vou fazer acontecer pra mim mesma.

Pergunto se ela se surpreendeu com as revelações que vieram de Hollywood pós-Harvey Weinstein. “Estou maravilhada com as mulheres que falaram”, diz ela. “As pessoas tem medo de fazê-lo em um ambiente de escritório, imagina em uma escala mundial? Por isso é ótimo que estamos tendo essa conversa. Precisamos continuar a ter isso e evitar o assédio, para que não seja mais a norma.

Embora tenha a “sorte” de não ter sofrido assédio sexual em sua carreira, Scodelario usou a hashtag #MeToo para quebrar seu silêncio sobre o abuso que ela sofreu mais perto de casa. “Levou-me 13 anos para dizer #MeToo”, ela bravamente tuitou em outubro. “Ele ainda é protegido por “membros da família” no Brasil. Eles disseram mentiras aos jornais para tentar me silenciar. Não mais. #MeToo.’

“Era algo sobre o qual eu queria falar durante anos, mas não sabia como”, explica, acrescentando que se sentiu especialmente vulnerável ao promover o ‘Maze Runner‘ no Brasil, quando membros afastados da família apareceram em seu hotel para assustar e intimidá-la.

“Eu pensei que estava ok e, na superfície, eu estava porque sobrevivi, mas eu precisava recuperar esse poder”, diz ela. ‘[#MeToo] pareceu o momento certo. Eu tinha o apoio de todas essas mulheres que eu nunca conheci na comunidade online querendo recuperar esse poder, e foi o que foi suficiente para mim, pessoalmente; para dizer: “Eu não tenho mais medo de você”.

Sua mãe sabia do que aconteceu? “Foi um incidente único e ela estave incrivelmente presente… então eu fiz isso por ela.” Scodelario também fez isso por seu filho. “Muitas pessoas me dizem:” Você interpreta papéis femininos fortes para que as garotas se espelhem em você? “Eu digo:” Eu faço isso para os meninos também. “Agora eu estou criando um filho, eu quero que ele se espelhe em mim. O consentimento é uma conversa que vou ter honestamente e abertamente com ele desde uma idade muito jovem.

Apesar de sua experiência, Scodelario permanece veementemente orgulhosa de sua herança. Sendo filha única, ela foi criada em uma conjunto habitacional do governo no norte de Londres por sua mãe solteira, falando português e cercada pela cultura brasileira, comida e música. “Sempre fomos nós duas”. Ela mima sua mãe quando pode, mais recentemente, com uma viagem a Doha no Qatar, onde Scodelario foi uma das convidadas do Ajyal Youth Film Festival.

“Foi maravilhoso porque costumávamos a nos esforçar para conseguir pagar uma viagem para Clacton-on-Sea. Agora, posso levá-la a países surpreendentes do outro lado do mundo e ela é tratada como uma rainha”.

Eu me pergunto se o fato de ter entrado no elenco de ‘Skins‘ afetou a dinâmica que tem com a sua mãe de ‘eu e você contra o mundo’. “Definitivamente,” disse ela. “Eu não quero que ninguém pense que nós tivemos um relacionamento perfeito porque isso não é realista. Mudei para Bristol e, de repente, tive esse novo grupo de amigos e eu estava me apaixonando pela primeira vez [pelo seu co-estrela Jack O’Connell]. Isso é difícil para qualquer mãe, principalmente para uma mãe cuja a vida é seu filho. Houve alguns anos em que foi difícil e tivemos que reavaliar nosso relacionamento.

Scodelario saiu de casa definitivamente quando tinha 16 anos. “Aluguei um horrível e pequeno apartamento em Camden Town, onde as pessoas bebiam e jogavam garrafas na minha janela, mas adorei”, diz ela”. Foram os anos Effy, com certeza”.

Quando nos encontramos, a “primeira geração” de ‘Skins‘ (que é Nicholas Hoult, Joe Dempsie e Hannah Murray, para citar alguns) acabaram de ter sua reunião anual de Natal. “Eu cozinhei o jantar este ano – no ano passado, Nick cozinhou na casa dele – mas acabou com os meninos assumindo a cozinha enquanto sentamos para fofocar”, diz ela. “Nós temos um pequeno grupo forte. Nos tornamos muito próximos porque fomos amigos primeiro. Eu não acho que vou encontrar isso em um trabalho novamente.

Scodelario ainda é reconhecida como Effy – “todos os dias, todos os dias!” – dez anos depois, o que não é surpreendente. ‘Skins‘ foi criticamente aclamada e controversa, observando agudamente os adolescentes millennials e suas ações com uma crudeza sem precedentes. Não era glamoroso como ‘The O.C.’ ou digno como ‘Dawson’s Creek‘; Era ousado e um pouco sujo, e ninguém, admite Scodelario, esperava que ela [a série] fosse um sucesso.

“Nós éramos tão inconscientes sobre isso”, diz ela com uma risada. “Nós íamos para o Nando’s em um grupo de cerca de dez pessoas, então tentávamos entrar em um bar, apesar de a metade ser menor de idade e ficávamos chocados quando as pessoas nos reconheciam! As pessoas deveriam ter pensado, “O que eles estão fazendo? Há uma câmera rodando?”

Ela certamente acumulou muita coisa nos seus 25 anos. Estaria Scodelario secretamente ansiosa para sossegar quando conheceu seu marido, em 2014, no set de (ainda não lançado) ‘The King’s Daughter‘? “A maior parte da minha vida é imprevisível”, explica ela. “Não posso me comprometer com a festa de aniversário de um amigo na próxima semana porque não sei onde vou estar. Eu me estresso sobre o trabalho e eu quero fazê-lo bem … mas quando nos apaixonamos, percebi que o que eu queria era ter essa conexão com alguém. Não queria deixar passar a oportunidade.

O casal noivou depois de alguns meses de namoro e se casaram um ano depois. Seu primeiro beijo foi durante uma cena, então eles pediram ao produtor do filme que lhes enviasse as filmagens para passar no casamento deles. Se parece um conto de fadas é porque realmente é. Um conto de fadas merecido.

Confira todas as fotos do ensaio para a Marie Claire na nossa galeria:

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